quinta-feira, 24 de setembro de 2026

E se o meu amor fosse platónico (A mini novela final de verão sem orçamento)


Episódio 0


Num mundo em constante correria, todos à procura dos preços mais baixos, resta-me a mim, o narrador, para selecionar uma história de amor e descrevê-la como a mais bonita. Neste momento um individuo acabou de pagar as compras na caixa 3. Vou-me dirigir a ele e perguntar-lhe: Fala-me do teu amor.


- Do meu amor? Porque não falas tu do teu?


Eu sou narrador, a minha função é entender o teu amor pelo teu amor, e descrever tudo o que vai para lá das tuas falas, tudo o que não dizes mas encontro necessidade em não ficar omitido.


- Mas isso impede o narrador de sentir um amor?


Muitos amores eu já narrei, e em muitos deles eu senti o amor narrado. Vejo que não queres falar do teu amor.


- Sim, é meu. Não sei se o irias narrar com a mesma intensidade que o sinto. Como irias narrar a temperatura?


A temperatura do teu amor será algo quente, que te aquece o coração e alma nos momentos mais frios.


- Estás a ver, nem a temperatura consegues narrar. Não é sobre quente ou frio. É sobre o que sinto quando pego na mão do meu amor. O contraste. A sensação do calor de vento parado. O fresco da sombra entre os dedos que suam. Ou a brisa provocada pelo deslizar dos meus dedos pela palma da mão dela.


Então vou descrever que tem uma temperatura harmoniosa. Cada toque nela provoca uma quente emoção.


- É verdade, mas narrado assim parece frio. Quando tenho o privilégio de a poder massajar, a temperatura da pele dela varia entre o alivio de dor e a ternura de um relaxamento. E quando abraço o meu amor, a temperatura que sinto ronda o elevado envolvimento na escala de solitário.


Parece que encontrei alguém diferente. A personagem fala mais sobre ela do que com ela. Estaremos num caso de amor platónico? Será que na verdade nunca foi por ti abraçada.


- Já foi sim. E agora também já abracei, ela é que não se sente ainda abraçada.


É então um amor platónico em que o teu amor sabe que é o teu amor, mas não se sente querer ser o teu amor! Assim estás-me a complicar a narração. Queres antes vir tu para aqui e descreves logo na primeira pessoa?


- Eu? Não. Tu é que decidiste querer falar do meu amor em vez de falar de um amor teu.


Tens que entender duas coisas, nós os narradores temos o celibato como os padres, apenas vivemos os amores dos outros, e não precisamos de um "-" no início da frase quando queremos falar.

Dito isto, vou tentar descrever o que imagino que possa ser o teu amor.


- Boa sorte!!!


Algo como um andar sobre tecidos esticados e suspensos. Onde caminhar é quase impossível, mas onde cair sabe bem. Onde apetece rebolar em vez de levantar.


- Estás a melhorar. Consegues adicionar alegria nisso?


Sim, os tecidos tem flores pintadas e um fundo de mar, que irradiam o melhor perfume do amaciador de cada corredor de detergentes.


- Onde está a alegria nisso? Estás a tentar usar a narração do meu amor para divulgar alguma marca de amaciador?


Acompanha o teu amor da próxima vez no corredor de detergentes. Quando ela, após experimentar o cheiro de todos os amaciadores, selecionar um e ficar a imaginar o cheiro final na roupa lavada, vai sorrir. Um sorriso no presente devido a um acontecimento que só irá ocorrer no futuro. Entendeste agora a ideia?


- E como concluíste que o meu amor absorve emoções como a alegria num simples cruzamento com um corredor?


Não só o teu amor. Todos os mundanos absorvem emoções quando cruzam os corredores da vida, levantam pedras ou são colocados perante filas na vida.


- Sim, foi numa fila...


Como assim numa fila? Estás a falar da fila para pagar na caixa 3? Tiveste alguma emoção pelos preços reduzidos?


- Não narrador. Outra fila. Uma fila onde o meu amor sorria. Onde nem eu sabia que o meu amor iria ser meu amor. Um instante platónico primórdio. Um sorriso no presente devido a um hipotético acontecimento que só por muito acaso aconteceu no futuro.


Senti agora na personagem uma partilha sobre o seu amor. Um amor platónico que deixou de o ser e portanto não é mais.


- Já voltaste a narrar mal. Já a abracei, muito, agora também a consigo por vezes abraçar, o problema é ela não se sentir por mim abraçada. Como se eu fosse um fantasma, onde o meu toque não é sentido.


É a vida a acontecer. São os sentimentos novamente a sobrepor. Podemos talvez agora finalmente começar a relatar a história de amor desta personagem. E para que todos fiquem sincronizados, vamos focar na situação do presente. O amor é agora platónico e com isso tudo volta ao início.






terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tempo no prego a fundo.

Já fez dois anos que Paul Walker morreu, e também está quase a fazer quatro anos e meio que o Angélico faleceu. Dou por mim a pensar: Olha só a velocidade a que o tempo passa!!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal é quando um entrevistado quiser.

Fomos para a rua perguntar às pessoas o que tem a dizer sobre o Natal.

"Não tenho nada a dizer. Levaram-me tudo." by Anónimo acabado de ser assaltado por um carteiristas na baixa, quando ainda lhe faltava comprar 32 presentes.

"Também não falo nada sobre o Natal." by Bruno Carvalho em blackout.

"Penso que, se devia fazer uma estátua ao Pai Natal enquanto ele está vivo." by Cristiano Ronaldo.

"" by Presidente da República.

"Vou submeter um novo habeas corpus alegando que a cela 44 não tem chaminé." by Advogado do José Sócrates.

"Eu deixei a selecção para fazer parte do projecto Presépio, e o burro sou eu?" by Scolari.

"O Pai Natal pode andar a entregar presentes de trenó pelo mundo todo, e eu não posso pedir para o meu motorista me trazer uma mala de vez em quando?" by José Socrates.

"Olá! Também o quis visitar neste Natal. Quer mamá-la?" by Cláudio Ramos a visitar o recluso da cela 44.

"14 Milhões! Calharam-me num jantar com amigo secreto. Tudo legal." by Ricardo Salgado.

"Aquele presente era para mim. O Ricardo trocou-me o número!" by José Maria Ricciardi.

"Quem gozar a dizer que nunca vi uma árvore de natal tão iluminada, eu enfio-lhe a cabeça de uma rena pelo..." by Stevie Wonder.

"Natal deveria ser todos os dias, mas sem ser feriado." by presidente da CIP.

"Pelo que vejo pendurado nas janelas dos prédios, Portugal tem excesso de Pais Natal." by Merkel.

"As pessoas falares muito nesta altura de um menino que faz milagres, mas espero que o Talisca continues no Benfica." by Jorge Jesus.

... under construction...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Críticas about Noel


Ginga da bel. Ginga da bel.
Sempre a mesma coisa.


Todos dizem que "Natal é quando um homem quiser", mas sempre fica no mesmo dia.
Natal deve ser mesmo o evento mais original, comemorado da forma mais monótona. A mesma data, a mesma comida, os mesmos filmes, os mesmos rituais... É oposto do que deveria ser.
Afinal, Natal é o nascimento, a renovação da esperança, um acontecimento que fez até começar uma nova contagem dos tempos (que muito complica a vida aos alunos quando querem fazer as contas de quantos anos tem as piramides do Egipto).
E depois são também as conversas:
-"Tenho hoje outro jantar de Natal, não me apetece nada ir, mas tem de ser."
Ou:
-"Ainda me faltam comprar 2 presentes e não sei o que comprar, mas tem de ser."
Ou ainda:
-"Este ano calha passar a noite de Natal com a minha sogra, que m##da, mas tem de ser."

Eu acho que fazia todo o sentido alterar o nome para dia do Tem de Ser. Fazia muito mais sentido.

Num país onde se fala que a solução para a crise é inovar, custa assim tanto inovar? Pelo menos um pouco!
Ponham os olhos nos reality shows da TVI. Nos primeiros BigBrothers mal se viam beijinhos e até um padre ganhou. Agora, faz inveja às longas metragens realizadas por Sá Leão. Ou seja, houve evolução. Certamente dentro de anos, as concorrentes irão ter uma câmara no útero e muito provavelmente outra na garganta (talvez até duas, para conseguir depois reproduzir em 3D). Tudo para conseguir novos e melhores directos.

Vamos lá, toca a inovar. E não, usar o clichê da ecologia para chamar árvore de Natal, a uma montagem feita com limpadores de garrafa, não é inovar. É apenas mais uma centena de fábricas na China a operar sem ligar a mínima às questões ecológicas.
Há ainda quem ache que o amigo secreto é original,  na verdade foi apenas uma forma de facilitar a escolha da prenda, pois qualquer coisa numa loja chinesa serve.

Dou umas pequenas sugestões:
- Vistam-se de Popota e vão fazer compras no Pingo Doce (podem até vestir a Popota com uma t-shirt a dizer "No Natal, sabe bem engordar mais um pouco").
- Façam uma fila enorme à porta das casas de alterne, mas sem entrar. Se alguém vos perguntar o porquê, respondam que estão à espera dos Saldos.
- Como dizem que é uma época de paz e amor, aqueles casais que têm filhos, podem convidar os pais verdadeiros dos filhos para a consoada.

O importante mesmo, é fazer algo novo.


Para despedida, logo quando a Caixa 3 chegar a casa, vou tratar do presépio.
Vai ser:
- Ó meu anjo, põe-te aqui em cima do meu pinheirinho.

(Caixa 3) - Tanta crítica que o Natal é sempre a mesma coisa, mas os teus posts também acabam sempre da mesma forma. Sempre transmitindo uma imagem sexual de uma pessoa extremamente sensual. Eu sou mais do que isso...

Upsss, irritou-se!
Pronto, sendo assim, eu confesso, a Operadora da Caixa 3, é na verdade um travesti...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

a^2=b^2+c^2

Pitágoras descobriu um dia que num triângulo rectângulo, o quadrado da hipotenusa é igual ao quadrado dos catetos.
Escreveu então a fórmula (a^2=b^2+c^2) e deu o assunto como explicado. Deu, mas deu mal.
Se 1+1=2 pode estar errado (basta o preservativo estar furado), então um teorema como este deve ser explicado para todos os públicos (mesmo para os que não usam preservativo).
De seguida irei portanto explicar este teorema em diferentes tipos de linguagem.




Um Guionista Porno

- Oh si cariño, ti gusta mi hipotenusa cuadrada? A mi me encanta sus dos catetos cuadrados.
- Pitágoras, dame más fuerte. Hacerme el triángulo rectángulo.



Um Ditado Popular

"Vale o mesmo uma hipotenusa ao quadrado na mão, que dois catetos ao quadrado a voar."


Um Vítor Gaspar

O quadrado ... da ... hipotenusa(*) ... é igual... à soma ... dos ... quadrados ... dos ... catetos.

(*) por excesso de sílabas, não é garantido que seja possível ele dizer hipotenusa de uma só vez.


Um júri Luís Jardim avaliando Luciana Abreu

L.J. - Eu já trabalhei com Pitágoras em Inglaterra e posso dizer que a Luciana a cantar é 1000 vezes melhor que a hipotenusa ao quadrado.
L.A. - Muito obrigado. Em homenagem a isso, os meus próximos dois filhos, fruto do triângulo rectângulo amoroso entre mim o Yannick e o Djaló, vão se chamar LuKatetoNick^2 e YaCyKatetoLó^2.



Um Pacote de Açúcar





Um Jornalista(*)

Bela manhã, as crianças já tinham tomado o pequeno almoço e dirigiam-se com a alegria típica das crianças para o carro, onde a sua mãe as iria levar à escola.
A Hipotenusa, esposa de Pitágoras, como habitualmente pegou nas chaves que sempre deixa pousadas em cima do frigorífico, deslocou-se até ao seu carro que tinha terminado de lavar e iniciou a viagem para levar os seus catetos à sua nova escola.
Até ao ano lectivo anterior eles frequentavam a escola do bairro, mas as recentes politicas dos mega-agrupamentos levaram a que agora se tenham de deslocar todos os dias para outra escola mais distante.
Durante a viagem, no meio das suas traquinices (os catetos são muito traquinas) um dos catetos lembrou que no dia seguinte era o aniversário do pai Pitágoras e que gostava de oferecer alguma coisa ao seu papá.
Hipotenusa, sabendo que Pitágoras gostava de pinturas geométricas, combinou com os seus catetos pintar com eles umas telas. Ela acordou com eles, que primeiro pintava ela um quadrado grande e depois cada um deles pintava um quadrado com a mesma imagem, mas com metade do tamanho.
Cumprindo com o maior dos brios as tarefas que a mamã propôs, não foi de estranhar que no final de jantar de aniversário e após Pitágoras ter soprado as velas, este tenha ficado tão comovido com a oferta de tais presentes, que até deixou escapar as seguintes carinhosas palavras:
O quadrado da Hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos Catetos!!! 

(*) No caso de se tratar de um jornalista para algum programa da Fátima Lopes, acrescentar que Pitágoras teve uma infância problemática, o pai bebia e batia na mãe, a mãe prostituía-se para que o pai tivesse dinheiro para beber, saiu de casa aos 14 anos quando tinha a cara cheia de acne, caiu no mundo da droga, teve um caso amoroso com a caixa 3 do Pingo Doce (onde para além de apanhar SIDA, perdeu também o cartão de descontos). Mais recentemente também passou a sofrer de Alzheimer, o que lhe trouxe uma vida mais feliz, pois já nem se recorda que era do Benfica.  



Um Pastorzinho a 13 de Maio em Fátima

Estava eu a pastar o meu rebanho de ovelhas, e de repente começou a chover muito. Depois do nada apareceu uma luz muito brilhante que se colocou em cima de uma azinheira que tinha um tronco em forma de um triângulo rectângulo. Então depois a luz falou para nós:
- Sou a Nossa Senhora de Pitágoras e vou-vos dizer três segredos.
E continuou.
- O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.
Eu perguntei então pelos outros dois segredos e ela respondeu:
- Os outros eram sobre o seno e cosseno, mas como implica dividir o comprimento dos catetos pelo comprimento da hipotenusa e vocês ainda não sabem fazer contas de dividir, o melhor mesmo é rezarem 1/3.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um alerta para os facebookianos amorosos antianónimos.


O amor, é lindo, é.
Amar é extremamente reconfortante para alma, sem dúvida.
Mas, pensem no escrevem... e pensem acima de tudo, nas frases amorosas que copiam.
Vejamos este maravilhoso bem conhecido exemplo:
- "Gosto de ti, daqui até à Lua."
- "Gosto de ti, da Lua até aqui."

Para começar, duas distâncias iguais com sinais opostos, anulam-se. Ou seja, logo para começar, estão a dizer que gostam ZERO.

Mas não só, no percurso daqui até à Lua, a força de gravidade vai-se reduzindo, até que chega a um ponto de gravidade ZERO. Chegados à Lua, terão um décimo da gravidade da Terra. Então, significa que o vosso amor vai variando. Vale Y inicialmente, pelo meio chega a ZERO e depois fica a Y/10. Depois no regresso volta a valer zero e volta a aumentar até chegar de novo a Y. Isto para mim tem um nome: relação inconstante e problemática.

Isto para não referir que na Lua, não há atmosfera, é vazio, sem filtro de ultravioleta. Não há uma flor, nem um quiosque que venda um chocolate ou um peluche. É com este cenário que desejam valorizar o vosso grande amor?
Mais vale uma coisa mais em conta, tipo "Daqui até Bagdad". Ao menos assim transmitem que com vossa cara metade é sempre a bombar, e que o vosso coração explode de amor por ela.

E para aquelas pessoas que tem a mania das grandezas tipo: "O meu amor por ti é infinito". Lembrem-se que no infinito até duas linhas paralelas se tocam. Aliás, no infinito tudo se toca. Isto quer dizer que se 10 casais se amarem até o infinito, no final vão-se tocar todos, o que em por outras palavras significa uma amorosa orgia! Chamo a atenção que nem todos os casais poderão ser heterossexuais, e como tudo se toca, um desses irá igualmente tocar em vocês.
É mesmo um amor infinito que querem?

Ainda há os que afirmam: "És o Sol da minha vida...". Desejam assim tanto ter um cancro de pele?

Já estou a imaginar uma conversa entre a Caixa 3 e uma amiga repositora:
- Gosto razoavelmente do meu namorado. Com ele são quase 25 centímetros... - diz a repositora.
Ao que responde a Caixa 3:
- Eu gosto muito mais do meu. É o Sol da minha vida. Com ele é no mínimo factor 50.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Konto de Natal

Vim aqui hoje, porque o calendário Maia deu a volta e não sei se quero ver de novo motoserras nas mãos de miúdas, que por esta altura já devem ser avós.
Como já dizia um grande sábio quando estava constipado:
- AAAAAtchim!
E tinha razão.

Hoje é a primeira Noite de Natal de uma nova era. Esqueçam a gruta na pedra, hoje em dia já se constroem estádios em pedreiras, está fora de moda. O menino nesta nova era nasceu sim, num rés-do-chão abandonado pertencente a um bairro social. E para o aquecer, não era burro, mas sim cavalo que lá se fumava. Também havia uma vaca, mas estava pedrada, e as palhinhas onde o menino estava deitado, já tinham inspirado muito pó. Em relação às oferendas dos três Reis Magos, o incenso na realidade era mais maconha.
Isto só à nascença. Porque logo que chegasse aos ouvidos do governo que um bebé nasceu em Belém e que iria ser o novo Rei, este iria mandar fechar a Maternidade Alfredo da Costa e os serviços de Pediatria do Dona Estefânia.

Depois viriam os milagres da multiplicação, onde 25% das mais-valias teriam de ser declarados no IRS e para andar sobre água no Tejo, não poderia ser num dia de greve da Transtejo, pois seria linchado e acusado de fura-greves.
Viveria até aos 30 anos com os pais (nada de novo nesta parte), tinha um caso com uma Madalena, mas depois descobria que curtia mais homens (também nada de novo) e com mais doze fundava a C.D.I. (Confraria de Decoração de Interiores) de onde sairia uma spinoff, para uma linha de cabeleireiros.

Porem, um dia Jesus saberia que um desses doze "homens" era um traidor e o iria denunciar ao fisco. Por isso iria certamente questionar a comitiva:
- Eu sei que até ao final da fase de entrega da declaração do IRS dos trabalhadores independentes pela internet, um de vocês me irá denunciar.
Ao que se ouviu uma voz:
- Que me desfaçam os tomates com um saca-rolhas se alguma vez fizer uma traição dessas. 


PS: Saudades da Operadora da Caixa 3 do Pingo Doce. De quando chegava aos ouvidos dela e sussurrava:
- Logo à noite, quero-te nua na cama à minha espera.
Ao que ela respondia:
- Deves acreditar no Pai Natal...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cu Olé Tânia!




Numa tentativa de inovação, o Ali Atoriedades (é sempre cool falar na 3ª pessoa) tentou fazer uma semana temática sobre música de verão Portuguesa. Ficam aqui organizados os vários fascículos.


Música de Verão Portuguesa - Parte I

Para começar, O Ritmo Do Amor. Um video que quer passar que Portugal é Ibiza, onde até um talho é invadido por mulheres boas. Nem num churrasco no Brasil se vê tão boa maminha.

Mas vá, é sempre bom ver um grupo de bailarinas, parte ilegais do Brasil outra parte ilegais de Leste. Acompanhadas por "homens" depilados (punham pelo menos um palito nos dentes).
Enfim, um belo retrato do que Portugal não é!





Música de Verão Portuguesa - Parte II

Hoje o cantor é ele, o Rei do Sertanejo Português, ou talvez mesmo, o Rei do Merengue de Portugal.
Hoje sendo 31 de Julho, a escolha só poderia ser mesmo esta.

Pessoalmente discordo da temática, porque nenhum dia é um bom dia para casar (talvez a 31 de Fevereio). Além disso, quando entra, entra sempre a gosto.







Música de Verão Portuguesa - Parte III

Agosto, mês dos fogos florestais, das melgas e dos emigrantes em cavas. Quem não se lembra das míticas "Operação Emigrante"? Não, não estou a falar das que eram levadas a cabo pela GNR, mas s
im por esses puros lusitanos, que davam o prazer às filhas dos emigrantes, prazer que elas não conseguiam obter no país destino.
Nessa altura elas vestiam-se com roupas mais 'à frente' e com menos tecido atrás. Entretanto a Zara e a Bershka também abriram lojas cá e perdeu-se a mística.
O cantor que trago hoje, é Dino Meira. Um cantor que juntamente com Carlos Paião, abriu o caminho para outros cantores como: Engélico, Amy Winehouse, Whitney Houston ou mesmo os Delfins.
Dizem que antes de morrer, teve a hipótese de trabalhar com Mia Couto, mas que estava farto e optou por Mio Cárdio.
Curiosamente, o próximo destino caso não tivesse morrido, seria o Brasil. Era um homem à frente no tempo...





Música de Verão Portuguesa - Parte IV

Aviso desde de já, que estou mal disposto por causa da música seleccionada para hoje.

Que raio de Kuduromania vem a ser esta? Emanuel lança uma música de Kuduro, Quim Barreiros, também tem u
ma música com ritmo Kudutro, José Malhoa idem... até a Sónia Brazão esteve uns tempo sem mexer o rabo. Acho que neste momento, só mesmo o Padre Borga não tem (ainda) uma música Kuduro.
Mas vamos ao tema de hoje, Morena Kuduro de José Malhoa. A escolha mais lógica deveria ser "Baile de Verão", mas devido ao video, optei por esta.
Começando por referir o nome do cantor, está bem escolhido. Se os EUA são o país dos cowboys onde já confundem espectadores de cinema com índios, em Portugal dada a taxa de violência doméstica, faz todo sentido um cantor chamar-se José Malhoa ( embora seja dar demasiado bandeira).

Agora o videoclip. Começa com uma estrada com buracos, coerente, mas as coerências terminam aqui. Aliás, eu pergunto onde é que anda a ASAE.
Então, se alguém me perguntar qual a probabilidade de encontrar uma morena daquelas, vestida daquele modo e a caminhar à beira da estrada, eu vou responder que é mais ou menos a mesma, de encontrar um walkman no chão, sem um único arranhão e com duas pilas "AA" (aquele walkman trabalha a 3 Volts) carregadas.
Aliás, já há quem diga que o SCP só volta a ser campeão, quando alguém encontrar um walkman a funcionar à beira da estrada.

Depois: "nem escapou o padre...". Pelo amor de Deus, estamos a falar de um Padre, da igreja, haja um mínimo de respeito e seriedade. É que a idade daquela morena já está muito para lá da faixa etária alvo dos padres.

Por fim, o final. Há inicialmente alguma verdade. Um cota mesmo com um penteado a CR7 e um alto carro não é suficiente para impressionar uma garota. Claro que depois colocou a música e ela pensou:
- Olha um auto-rádio para o meu namorado depois gamar!
Agora, ligar os faróis porque leva uma mulher no carro?!? É algum código? É tipo a dizer:
- Sou o José Malhoa, não sou o José Raposo!





Música de Verão Portuguesa - Parte V

Este levantamento musical caminha para o seu final, mas ainda existem ícones importantíssimos que não podem ficar de fora.
Um deles, é o Tony Carreira (Tony Ônibus para os Brasileiros).

A mús
ica escolhida foi o "Sonhos de Menino". Um 'slow', a oportunidade de dançar juntinho de uma moça e tentar adivinhar o tamanho da copa do soutien dela.

Esta música será um bom registo histórico para o futuro. Um dia uma criança de Cascais irá ouvir por acidente e perguntar à mãe:
- Mamã, o que é uma "aldeia perdida na beira"?
- Olhe, é uma coisa giríssima, é tipo um sitio muito longe com um nome muito engraçado, está a ver?
- Haaaa, como Alcabideche e Rinchoa?
- Não querido, mais longe. Temos de passar rios e muitas pontes.
- Feijó?





Música de Verão Portuguesa - Parte VI

Continuando este sublime escrutínio sobre a música de Verão Portuguesa, hoje trago algo mais moderno.
Noutros tempos não havia SCUTs, e as autoestradas que havia, era necessário pagar portage
ns, pelo que era complicado os jovens irem à cidade à discoteca, ao cinema e mesmo para determinadas actividades sexuais.

Então aí surgiu um cantor visionário brasileiro chamado Iran Costa e fez uma revolução.
De uma assentada levou um momento discoteca aos bailes da aldeia, onde crianças aprendiam determinados movimentos do cóccix (e velhos os recordavam), realizou um video, que é até hoje o único Godzilla realizado em Portugal, e claro, se é verdade que Scolari fez toda uma nação colocar uma bandeira à janela, Iran Costa conseguiu colocar um povo a pedir para lhe tocarem o bicho.






Música de Verão Portuguesa - Parte VII

Penúltimo "Faz Ciclo" desta temática.
Diz quem sabe, que baile de aldeia tem sempre um momento rock. Um momento de música 'maluca' que mandava embora as beatas para casa e puxava os mais bêb
ados da frente da tasca, para a frente do palco, demonstrando aí as suas melhores performances.
Era um momento de sentimentos antagónicos, porque se por um lado era a altura em que o baile entrava na melhor parte, por outro, as beatas levavam as filhas (ou netas) para casa e acabava o rossa rossa (e as idas atrás da igreja).

Por mais que se invente, Rock só havia um. Era A Minha Casinha dos Xutos. Quando os primeiros acordes começavam, mesmo quem estava a jogar às escondidas (ou ao toca e foge) corria para frente do palco. Depois cada um imaginava ter uma guitarra eléctrica nas mãos e todos tocavam vigorosamente os mesmos acordes (ninguém desafinava). Havia mesmo no final quem fingisse partir a guitarra no chão. Outros mais velhos (e com mais cerveja), conseguiam encontrar um troço de uma couve e acreditavam que aquilo era mesmo um microfone. Dizem até que alguns levavam uns cigarros feitos com barba de milho para curtir ainda mais.

Este tema demonstra bem que os portugueses tem uma excelente capacidade para decorar letras de canções... desde que estas não tenham mais que 6 pequenas frases.

De realçar que esta música tem atravessado gerações, e tendo em conta o número de casos de famílias, que tem entregue a casa aos bancos devido ao incumprimento no pagamento das prestações, volta a estar na moda.





Música de Verão Portuguesa - Parte VIII

Hoje decidi que era a última edição desta temática. Haveria muitos mais compositores de renome, mas infelizmente não pude falar deles todos.

Para fechar, seleccionei um tema que fez e cont
inua a fazer parte de muitos 'encores' por esses bailes de verão: O Apita o Comboio.

Sei que é complicado explicar a Madeirenses e Açorianos o que é um comboio, mas não se preocupem, mais uns anos e no continente também não vão saber o que é.
Para além da forte recomendação por este transporte público, esta música é uma aula de geografia. Tirando os que lá vivem, alguém antes conhecia o rio Torto?

Mas tem mais, ao fechar o baile, esta música provocava enormes comboios humanos. Muitas vezes como mais passageiros, que os estudos mais optimistas previam para o TGV.
Ao mesmo tempo, era a guerra para ser o maquinista, todos os rapazes queriam ir à frente... e levar com todos atrás... era o momento em que ser gay deixava de estar reservado apenas às elites. O chamado homosexualismo do povo. Ir na frente e sentir alguém atrás com as mãos nos nossos ombros... um sonho!
Claro que outros faziam de carruagem e também levavam com as mãos de outros nas costas, mas em compensação, tinham a oportunidade de meter as mãos nos ombros de uma moça. Muitas das vezes conseguiam até sentir o 'elástico' do soutien, o que às 3 horas da manhã com tanta cerveja já bebida, era praticamente um acto sexual de 3º grau.

Foi um prazer, tem agora uma maravilhosa playlist para colocar no vosso auto-rádio e mostrar a esses alemães, que eles é que tem dinheiro, mas nós é que pimba.






Ai que saudades das promoções de Verão do Pingo Doce. Naquela altura com a Caixa 3 tinha a fruta à pala...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem pés nem cabeça


O que me trás aqui? Um username, uma password e um click.

Hoje vou entrar em modo de indignação retrograda. E criticar essa coisa de falar com um tal de nível.
Há dias, estava eu na fila do Pingo Doce para pagar um pack de rolos de papel higiénico de uma determinada marca, quando o operador de caixa me interpela:
- Olhe que os rolos da nossa marca são mais baratos.
Ao que eu respondi:
- Sim, mas não é tão suave quando limpo o cu com ele.
Logo vários olhares superiores de quem estava na fila me olharam indignados e o próprio operador da caixa me corrigiu:
- "Quando limpo o rabo", queria o senhor dizer. Olhe a educação!

Achei aquilo intrigante. Cheguei a casa e pesquisei no dicionário:
Cu: Ânus; assento; traseiro.
Rabo: Termo genérico com que se indica o apêndice caudal de todos os animais.

Concluí portanto que ser bem educado, é designar uma parte anatómica do nosso corpo pela mesma designação de um apêndice que existe em animais como bois, burros, cães, ratazanas, ovelhas, etc...

Confesso que não sei se dizer rabo em vez de cu é uma questão de educação, ou de falta de conhecimento. Mas o melhor é mesmo ir pela maioria.

Assim sendo, no resto deste post irei seguir à risca esta regra e ser o mais educado possível para subir o nível.

Não me vou alongar muito, porque sinto o bucho vazio e ainda quero ruminar qualquer coisa antes de ir com uma amiga que está prenha ao centro comercial, para ela tosquiar o pelo da cabeça e tratar dos cascos.

Para finalizar, no mesmo dia em que ocorreu este incidente, alguém depois deve ter comentado com a operadora da Caixa 3. Digo isto, porque quando cheguei a casa, ela estava deitada no sofá quase numa, olhou-me fixamente nos olhos e disse:
- Anda cá meu animal!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Laços de Sangue A RH+

Não, não morri. Apenas tenho estado à espera que o Sporting ganhasse mais de 3 jogos seguidos (incluindo os treinos).

E é exactamente por causa do Sporting que decidi vir aqui comentar as novelas da SIC. Este fim-de-semana, pela primeira vez na história, termina uma telenovela não por falta de argumento, mas por começar a escassear o elenco.

Entre assassinatos e personagens que saíram de cena, foram mais de 20. Ao pé disto, os vampiros da Lua Vermelha são uns meninos.

Eu é que não sou o Bruno Nogueira ou o João Quadros, porque se fosse, acusava a SIC de plágio do programa "Último a Sair".
E atenção que o plágio continua. Na primeira semana da nova novela já vi 3 assassinatos. Poderemos dizer que o Joaquim de Almeida foi logo expulso quando acabava de entrar na casa (no fundo, é o Marco Borges de Hollywood) e a Soraia Chaves não teve sequer direito a umas nomeações. Confesso que não entendo esta obsessão da SIC em querer matar actrizes bem boas com sobrenome Chaves.

Resumindo, olhando para o plantel do Sporting do ano passado e o deste ano, concluo que o argumentista das novelas da SIC deve ser o responsável pelo balneário do SCP.

E pronto, espero que este post seja suficiente para manter os laços que me ligam aos seguidores deste blog.

No final, há sempre algo sobre a operadora da caixa 3 do Pingo Doce:
- Só o olhar dela, mata-me!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Aqui e Ali, haja BomCensos.

Vou ser rápido. Até que assim dificilmente alguém me apanha enquanto aqui estou.
Neste post, vou colocar de lado a linguagem erudita e recorrer à linguagem eruscrita.

Vamos então a um extracto do meu Censos 2011:
- Tem retrete em casa?
- Não!

- O que estava a fazer no dia 21 de Março de 2011 às 00:00?
- A cagar!

- Sabe ler e escrever?
- Sei, mas pouco. Por questões técnicas já referidas, estou impossibilitado de usar as mãos para folhear revistas na casa de banho e fazer sopa de letras.

- No dia 21 de Março de 2011 às 00:00 estava mais alguém presente no seu alojamento?
- Estava mas foi-se logo embora.


Por curiosidade, estava em casa com a operadora da Caixa3 do Pingo Doce e a dada altura convidei-a:
- Querida, queres ficar cá esta noite?
- É melhor não, estou com diarreia.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

? A Problemática do Problema !

De certeza que já vos aconteceu.
Param, olham, escutam e pensam: "Porque raio parei, olhei e escutei?"
A vida tem disto, ora sim, ora não. No caso da mulheres, acresce o talvez sim quase não, depende se faz sol e se o verde hoje lhe parece mais ecológico.

Foquemos-nos agora no problema. Quantas vezes ao prepararem-se para acordar pensaram: será que hoje vou conseguir largar a cama e largar uma bela sequência sonora gasificada?

Uma flatulência ao acordar é sempre alegria. No dia mais frio de Inverno faz recordar os foguetes lançados na alvorada da festa lá na terrinha. O cheiro que se segue assemelha-se igualmente ao odor a enxofre queimado resultante do lançamento dos foguetes.
O dia começa ali, naquele momento. O peido matinal é o tiro de partida.
O peido é isento de imitações. Ninguém bombeia ar no ânus para dar um peido artificial (há quem bombeie nessa parte, mas não é ar que lá entra).

Nenhum ladrão rouba um peido a um inocente, quando muito leva-o a libertar tudo o que estiver presente na zona terminal do intestino grosso (por outras palavras, borrar-se todo).

Nunca houve necessidade de registar a patente do peido, porque por mais que os chineses o tentem imitar e fazê-lo mais barato, nunca conseguirão clonar o nosso peido.
O peido é isento de IVA, não é influenciado pelo défice e quando dado na fila para pagar a gasolina, até faz esquecer o preço dos combustíveis.

Quantos traques não terá dado Michael Jackson quando fazia força para fazer o moon walk?
Qual a qualidade das bufas dadas por James Brown quando cantava com toda a força "I Feel Good"?
Qual o rasgar dos "rufus" gerados por Louis Armstrong quando este soprava vigorosamente na sua trompete?
Qual a suavidade da flatulência do José Sócrates, quando o telemóvel dele toca e no visor aparece: "Angela Merkel"?

Agora estamos perante uma grande crise de valores gasosos.
Sim, estou a falar do facebook.
Na semana passada, vi o poder que as redes sociais tiveram no Egipto. E vi também um amigo meu que removeu o estado civil "casado" do mural.
Ou seja, o facebook permite acabar com qualquer ditadura. Permite também dar um toque, mas não permite dar um peido.

Há que inovar pá! Temos de poder deixar um peido num mural de um amigo e depois quem visitasse sentia o cheiro e deixava ou não o seu "like".

Talvez seja melhor criar uma nova rede. Tipo facebufa, ou mais literal, caradepeido. E então na informação pessoal, em vez de estado civil ou gostos musicais, teríamos estado do aparelho digestivo e gostos gastronómicos (feijoada, rojões...).


Não sei se já repararam, mas vejam:
- já temos um primeiro-ministro que 'esfinge' que governa;
- não temos figuras em perfil, mas temos várias com a face oculta;
- não temos pirâmides com 10.000 anos, mas temos com algumas semelhanças a Casa da Música que foi um investimento faraónico e temos múmias num Mausoléu na Rinchoa com mais de 7 anos.

E agora temos a rede social facebufa (ou caradepeito.pt). Temos tudo para fazer uma revolução.

Já tivemos a Revolução dos Cravos, desta vez será a Revolução dos Peidos. Será uma nova revolução e por isso uma nova fragrância. É certo que em 1974 meteram cravos no cano das armas, desta vez terão de meter o cano no... bem, depois logo se vê. Pode ser que o Castelo Branco queira ser o novo vendedor de 'cravos'.


Éh pá, fiquei tão entusiasmado com esta ideia, que ontem, Dia dos Namorados, cheguei juntinho da operadora da caixa 3 e disse-lhe assim com um ar bastante autoritário (para mostrar quem manda):
- Querida, já acabei de lavar a louça e passar a esfregona na cozinha. Agora acho que deveríamos aproveitar o dia de hoje e fazer uma revolução na nossa vida sexual!
Ao que ela com ar de submissa respondeu baixinho:
- Sim sim, isto de ditadura já tinha muito pouco...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AliComments : O Tuga é um ser superior!

Até aqui, estava convencido que o Mourinho era o maior. Mas esqueçam lá isso.

Vejam só isto:

Este homem que só é gay nos anos pares, às vezes salta-lhe a tampa, e consegue de uma assentada ser um Macgyver, uma Sharon Stone e um Dan Brown!

Podem já fazer um filme: "O Código da Rolha do Tinto Fatal" (onde a rolha seria feita com uma pastilha elástica e um crachá do Pingo Doce a dizer 0%).

Para mim, é desde já o vencedor do Portugal tem Talento. Mais, por mim, deveria ser ele a governar este país.
Aposto que iria conseguir cortar completamente o défice com recurso a dois abre-latas e uma forquilha de bicicleta.
Depois facilmente as taxas de juros iriam descer, pois os mercados iriam finalmente acreditar que o governo iria cortar em tudo, até nos mais velhos.
Teria ainda a vantagem que deixaria de haver onde muitos pudessem continuar a 'mamar' do estado.

Em suma, ponham bem os olhos neste homem!... E as mãos onde bem sabem...

PS: Por razões óbvias, este post é mais curto.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A força do Pinheiro da Natal

Decorria um indeterminado ano. Provavelmente um dos primeiros em que já serviam pequenos-almoços.
O normal era pedir um ovo estrelado com bacon. Mais tarde por causa do colesterol, trocaram a entremeada por uma carne melhor e assim nasceu o dilema do ovo com lombo.
O que terá aparecido primeiro? O ovo ou a galinha?
Talvez a galinha. Mas alimentando-se esta de sementes e sendo o pinhão uma semente, terá a galinha comido pinhões?
E já agora, o que terá aparecido antes, o pinhão ou o pinheiro? Se for o pinhão e depois veio o pinheiro, significa que a galinha não comeu o pinhão. Se foi o pinheiro, poderá ter sido decepado no Natal e já não deu pinhões.
Sem pinhões no Natal, restam as nozes, os figos secos, as frutas cristalizadas e o bolo rei.
O bolo rei leva ovos, pelo que mesmo não sabendo quem foi primeiro (o ovo ou galinha), sabemos que no Natal foi o ovo. E tendo sido este envolvido com alguma promiscuidade com farinha e açúcar, não teve oportunidade de evoluir para galinha.
Não havendo galinha, o pinhão safa-se e teremos pinheiro depois do Natal. Depois do Natal, os pinheiros são deitados fora, pelo que também já não interessa.
Quanto muito interessarão no Verão, para serem devorados na 'incêndios season'. Nessa mesma altura vêm muitos emigrantes matar saudades, principalmente os que não puderam vir no Natal.
Também nessa altura com o calor, as pinhas abrem-se e deixam cair os pinhões.
Pena é que os emigrantes façam muitos churrascos, não havendo depois galinhas para comer esses pinhões, razão pela qual, no próximo Natal haverá pinheiros.
Só que pela mesma razão não haverá ovos, o que por consequência não haverá bolo rei nem rabanadas. O que assim sendo, no próximo Natal não se justifica cá virem os emigrantes.
Seja como for, eu gosto muito da noite de Natal. Isto porque acontece sempre após uma dúzia de meses e logo no dia 24, ou seja, duas dúzias. É talvez por isso que é muito fácil contabilizar ovos, são às dúzias, ao contrário dos emigrantes que são muitos.
Até que um dia, um emigrante da América chegou na noite de Natal e disse:
- Esqueçam a galinha, lá nós comemos peru.
A galinha sobreviveu, comeu os pinhões e deixou de haver pinheiros.
Zangados, os vizinhos igualmente emigrantes, foram acertar contas com o emigrante gringo. Pois sem pinheiros já mais poderiam vir no Natal e no Verão.
Foi então que o mesmo emigrante sugeriu o pinheiro de plástico, o dinheiro de plástico e aproveitando o excesso de galinhas, a comida de plástico com o McChiken.
Começou então a formar-se um enorme volume de interessados para provar tal iguaria.
Perguntou então alguém lá de dentro para começar a servir:
- Vamos lá então, quem é que apareceu primeiro?
O ovo e a galinha ficaram a olhar um para o outro. O pinheiro coçou a pinha e o pinhão foi à boleia com um emigrante em camisa de alças numa moto 4.

Chegou-se então à frente a Caixa 3 do Pingo Doce e fez o seu pedido:
- Era um ovo estrelado com bacon.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma Crise cheia de prosperidade.

É Natal. Natal é quando um homem quiser e Bruxelas deixar.
O Natal é mundial e é sentir o calor da família. Ou seja, Natal é por si só um aquecimento global.

Com o aquecimento global muda tudo. E tudo o que muda é global.
Quando era novo, para além de ter menos idade, sabia que depois do Outono vinha o Inverno. Hoje já não sei se vem o Inverno, o FMI, o D. Sebastião ou o Sá Carneiro.

É a Crise, que rima com brise. E o Rei que só não vai nu, porque prefere andar vestido (embora quando for para Timor...).

Tenho rezado bastante para que tudo isto passe e o 745 venha no fim, para que eu possa ir ao Prior Velho. Encontrar a sabedoria de um Prior de outros tempos, ou então uma oficina aberta.

Muitas são as pequenas capelas onde vou orar (ora vou a uma, ora vou a outra). Evito no entanto tudo o que é igreja matriz, porque eu vou ali para falar com Deus e não para discutir álgebra.

Outras vezes gosto de ir a uma Sé, para tentar ouvir aqueles enormes órgãos encastrados nas paredes. Mas muito raras são as vezes em que sou presenteado com tal prazer.
Perguntei num indeterminado dia a um padre porque não tocava com mais regularidade em tal belo instrumento. Respondeu-me que não pode ser qualquer um a meter lá as mãos.
Acrescentou que mesmo ao domingo, usam o outro que está junto do altar. Disse ele que era mais moderno e que já era digital.
Dou por mim a pensar:
- Como querem que não haja pedofilia na igreja? Se quando olhamos para os altares de várias paróquias durante a missa, o que vemos são os seus padres e os respectivos órgãos digitais!

Isto não faz sentido. É a mesma coisa que recorressem a um pequeno triângulo de madeira e fizessem dele um cata-ventos no cimo de uma torre da igreja.
Depois um galo de Barcelos passaria por ali e interpelava-o:
- Não gostavas antes ser de metal e servir de ferrinhos num rancho?
E ele respondesse:
- Não estou para aí virado.

Mas pensaria certamente o cata-ventos:
- Porque não fazem um galo de Barcelos nas Caldas da Rainha onde em vez de mudar de cor em função do tempo, levantava ou baixava o seu 'indicador técnico' consoante fosse ou não um bom dia para ir para o engate no Bairro Alto?

Sim, porque Natal também é engate!
É o Pai Natal a engatar as renas ao trenó.
É engatar o triângulo de madeira no cimo de uma igreja a servir de cata-ventos.
É engatar a secretária que trabalha no FMI para ela avisar quando eles cá vierem.
São padres a engatar criancinhas enquanto tocam nos seus órgãos digitais.
É o Cristiano Ronaldo a engatar só porque sim.
É a Alexandra Lencastre mortinha por ser engatada.
E mesmo em certos ranchos, quem vai para lá, vai para o engate.

Em relação ao menino Jesus? Esse está em palhas deitado a 8 pontos do Porto e no presépio não terá direito a vaca. Já a teve toda no ano passado.

Para a noite de Natal, deixo aqui um SMS:
"Desejo-te uma muito feliz noite de Natal com a melhor companhia. Espero que não tenha sido muito cara."

Para dar sorte, não se esqueçam de entrar em 2011 com o pé direito.
Caso não tenham pé direito, entrem com a mão direita.
Caso não tenham nem pé nem mão direita, será uma boa altura para se mentalizarem que a sorte não faz parte da vossa sina.


Por curiosidade, ontem quando chegou a casa a operadora da Caixa 3, como estava morrendo de saudades dela fiz-lhe o seguinte pedido erótico:
- Amor, deixa-me tratar dos teus marmelos e vamos fazer marmelada!
Ao que ela me respondeu:
- Não tens lido as notícias? Não tem havido açúcar na prateleira.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sr. Maia? Está bem abelha!

Já está.
14 meses depois cheguei finalmente ao fim deste enorme desafio.
Qual? Ler Os Maias!

Sei que muitos também gostavam de conseguir tal feito, mas como não sentem forças para isso, eu cá estou para ajudar. Finalmente um resumo de Os Maias que irá subir as notas da disciplina de Português e de Educação Sexual.

Então é assim, comecemos pelo Ramalhete. Esqueçam. A descrição tão pormenorizada daquele espaço só existe no início deste romance, porque Eça de Queiroz queria também cativar para a leitura, decoradores de interiores e toda a restante comunidade gay.

Sendo Eça de Queiroz um grande produtor de conteúdos e de novos formatos, pegou então no Ramalhete e transformou-o num mix Casa dos Segredos & Fiel ou Infiel.
Na altura, como não havia a pílula, os jovens só queriam mulheres casadas. Assim, eles sabiam que nunca seriam pais.
A malta ia para a noite no Ramalhete, aproximava-se, oferecia um copo, uma piadinha para ela sorrir, certificavam-se de que era casada e forró com ela. Enfim, outros tempos.
Neste romance, uma mulher que tivesse relações sexuais com vários homens e não fosse casada, era logo marcada pela sociedade como uma prostituta.

No meio deste contexto de sociedade, Afonso da Maia teve (pelo menos no papel) um filho chamado Pedro da Maia. Pedro encontrou uma mulher 'toda boa' e casou.
Ora, uma mulher que poderia ter sido capa da Playboy do mês de Maia(o) e que passou a ser uma mulher casada, passou a ser uma mulher interessante para muitos mais.
Em pouco tempo teve dois filhos (um casal). Uma vez mais um Maia ficou oficialmente como pai. Com isto, com ou sem o seu ADN, Afonso da Maia já tinha netos, sendo que o mais velho ficou com o nome de Carlos da Maia.
Um dia a mulher de Pedro fugiu com outro, ele não aguentou a dor de corno e matou-se. E assim logo no início da história Eça de Queiroz abateu uma personagem. No fundo Eça de Queiroz fez o mesmo que o autor da novela Laços de Sangue, que logo no primeiro episódio eliminou o actor José Fidalgo. Aliás, se tivesse sido Eça de Queiroz a escrever Laços de Sangue, as irmãs separadas em criança, encontrar-se-iam em adultas e virariam em casal de lésbicas.

A mulher de Pedro (O Corno) fugiu portanto com outro, levou a filha mais nova e deixou Carlos com o avô. Só que Carlos era olho vivo e passou a jogar as regras do jogo. Arranjou um amigo chamado João da Ega e dedicaram-se ao engate de mulheres casadas. Aliás, muitas vezes eram elas atrás deles. E assim foi, farra atrás de farra. Até que um dia Carlos fartou-se e quis algo mais à frente. Como não queria descer de nível e virar-se para as solteiras, virou-se para a irmã.
Perto do fim, alguém conta ao Afonso da Maia que irá sofrer uma redução de 10% da sua pensão e este morre.

Para terminar, falta só mencionar o contexto económico de Portugal naquela altura. Digamos que naquela época o país era governado por gente muito incompetente e estava bastante endividado. Enfim, Eça de Queiroz tinha uma enorme capacidade para imaginar cenários irreais.


Para terminar, comentei com a operadora da caixa 3 do Pingo Doce que demorei todo este tempo para ler esta obra. Ao que ela me respondeu:
- É para compensar outras coisas em que és bastante rápido...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Hei! Camões DJ!

Já alguém imaginou Luís Vaz de Camões como DJ? Um DJ das letras, está claro.
Uma mão no prato e o outro braço sempre no ar a puxar pelo público (*).
Tomem lá um provável set:

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Navegar navegar,
Mas ó minha cana verde,
Mergulhar no teu corpo,
Entre quatro paredes,
Dar-te um beijo e ficar,
Ficarei mais perto do céu,
Ficarei mais perto do mar,
Ó mar salgado, quanto do teu sal,
São lágrimas de Portugal,
São lágrimas, são lágrimas, são lágrimas caindo do meu rosto,
São lágrimas, são lágrimas, são lágrimas que choram por quem gosto,
Eu gosto é do Verão,
De passearmos de prancha na mão,
Põe tua mão na mão do meu Senhor da Galileia,
Põe tua mão na mão do meu Senhor que acalma o mar.
Dá um mergulho no mar,
Dá um mergulho sem olhar para trás,
O passado foi lá trás,
Trás Trás Trás,
Para mim tanto me faz,
Que digas coisas boas ou coisas más,
Ou mesmo que inventes,
Que era lindo o serão lá na casa da avózinha,
Aquilo que eu mais gostava,
Era o jogo da adivinha,
Adivinha quem voltou, comeu e não calou,
Mais uma vez a doninha arrancou,
No Calhambeque bi-bi (não confundir com o calhambeque do Bibi),
Quero buzinar no Calhambeque,
Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...
Vrei sa pleci dar numa, numa iei,
Numa, numa iei, numa, numa, numa iei,
Tsamina mina eh, eh,
Waka waka eh, eh,
Tsamina mina zangalewa,
This time to Africa,
Wegue, wegue wegue wegue,
Wegue, wegue wegue wegue,
Quando eu entro o palco se move,
Kalemba que chove,
Vai ver, vai ver se chove,
Vai chover amor,
Na madrugada vai chover,
Vai chover amor,
Não há luar como o de Janeiro,
Nem amor como o primeiro,
Venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro,
O preço é sempre baixo na loja toda, o ano inteiro,
Ponho carro tiro o carro à hora que eu quiser,
Mamo à hora que eu quiser porque a cabrita é minha,
Eu quero comer, Joana,
Que foi com a Teresa chupar rebuçados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.


Et voilà!

(*) Camões só salvou os Lusíadas porque não queria que o Rolex que tinha comprado em Marrocos apanhasse água. Recordo que na altura não havia marroquinos no Chiado.
Em homenagem a este feito, nos dias hoje, muitos são os oriundos do Magrebe que se concentram na Praça do Camões à noite com variados ramos de flores. Muitos até fazem o ritual de ir para o Bairro Alto e percorrer aquele mar de gente com o ramo na mão e o braço no ar. Como se dos Lusíadas se tratasse.
Ao contrário da grande parte dos alunos, que estudam apenas algumas partes desta obra, estes senhores durante a noite percorrem todos os cantos.



Claro que se Camões vivesse nos tempos presentes, episódios como este poderiam acontecer:
- Sabes quem foi hoje ao Pingo Doce? O Camões!
- Sério?
- Sim, mas coitado, mal se aguenta das canetas. Deu-me pena vê-lo assim, até lhe dei dinheiro para ele poder comprar uma esferográfica.
- E não te deu um autógrafo?
- Não, mas acho que ele está de olho em mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lisboa Baique Ture

Yo, Ali Radical! Sempre a curtir e a bombar sem ketchup.

Dei por mim e estava sentado no alcatrão em plena Ponte Vasco da Gama (PGV). E nem sequer estava na faixa da esquerda. Foi mesmo na faixa central e sem qualquer receio de ser atropelado. Sem ter pago portagem embora tenha sido obrigado a colocar um chip na cabeça para me controlarem. É que eu quando me descontrolo, sou um perigo.

A preparação para este momento já tinha começado no dia anterior. Na noite de sábado, nada de copos e uma noitada que terminou antes da meia noite. A preocupação com o despertar no dia seguinte era superior à de que se fosse para apanhar um avião para ir de férias para Cuba. Após muitas contas de cabeça, despertador programado para as 6h30m. Nem sabia que o telemóvel permitia ser configurado para despertar tão cedo.

Despertou. Não verifiquei mas deviam ser as horas seleccionadas. A parte do cérebro que reconhece números continuou a dormir. Normalmente só preciso desse módulo na altura em que tenho de regular o tempo do microondas para aquecer o meu pequeno-almoço.

Fui então ao banho e fazer a barba, afinal ia atravessar a Ponte Vasco da Gama. Convinha ir apresentável e a cheirar bem. Ainda por cima iria estar maré baixa.
Seguidamente vesti uma t-shirt verde e lá fui eu. Apanhei o Metro e às 7h30m lá estava eu numa enorme fila para ser empacotado num autocarro da Carris. Altamente! Poder numa madrugada de domingo sentir num autocarro aquilo que normalmente só se sente durante a semana em plena hora de ponta. Deduzo que tenha sido mais uma performance planeada pela organização.

Viagem feita. Chegado ao destino, a porta abre-se e toca a correr para uma bicicleta. Por instantes senti-me uma Vanessa Fernandes. Faltava-me só um aparelho nos dentes.
Claro que havia uma bicicleta para todos. Mas era mais do que uma bicicleta. Era um puzzle-bicicleta, cada uma com extras muito específicos. A primeira em que pus a mão já vinha com um travão activado de fábrica. Na segunda, um dos travões tinha apenas funções de estética. Depois peguei numa em que o ajuste do selim era mínimo (deveria ser uma versão mais desportiva). No final, optei por uma que das 18 diferentes velocidades, apenas permita alterar entre 12. Ou seja, vinha estrangulada. Ora como a PVG é conhecida pelos seus fortes ventos laterais, achei por bem ter o cuidado de optar por uma que não permitisse entusiasmar-me e lançar-me para um regime de velocidades proibitivo.

Bicicleta seleccionada, começa a corrida. Não a corrida propriamente dita, mas sim a corrida para o compressor mais próximo. Achei estranho no início que aquelas bicicletas tivessem as rodas quase que vazias, mas depois pensei: foram feitas na China onde os trabalhadores mal podem respirar; é natural que muitos roubem ar às escondidas para poder depois respirar em casa com a família.

Enquanto procurava a fonte de ar mais próxima vi outras pessoas que continuavam viciadas a divertir-se com o puzzle-bicicleta. Havia mesmo quem personalizasse cada pormenor: quadro de uma bicicleta, roda da frente de outra, selim de outra, pedais, etc... Pareceu-me mesmo ter visto alguém que meteu também carretos de mudanças na roda da frente. Provavelmente a primeira bicicleta 2x2 e quem sabe se não teria também diferencial.

Rodas atestadas e agora sim, estava pronto. 8h30m: boa hora para começar. Pensei eu. Estava pronto sim, mas era para pousar a bicicleta e sentar-me no chão. Mas sempre de olho nela, pois a malta do bike-tunning continuava por lá a coleccionar peças e algum menos sério poderia fanar-me alguma jante ou uma maneta das mudanças.

E ali estava eu, sentado, à espera do início. Até que pelas 10h30m deu-se a partida. Ou mais correctamente falando, deram-se as partidas. Só nos primeiros 50 metros, a corrida deve ter começado umas 10 vezes. Passados os primeiros 200 metros em 10 minutos em cima da bicicleta, pude finalmente começar a pedalar. E após 2 Km em meia hora e algumas centenas de partidas (até já tinha travado uma vez com os dois travões ao mesmo tempo) cheguei ao local de partida!

Tinha finalmente passado aquele equipamento semelhante ao das SCUTs que deve ter lido o chip que levava no meu capacete. Espero que não me apareça nenhuma taxa extra no próximo extracto da via-verde.

Mas agora sim, dava para pedalar durante períodos superiores a 10 segundos e pude experimentar uma outra velocidade das minhas 12 possíveis.
Chato foi que quando passei o ponto de partida já me doía consideravelmente as nádegas. Ou seja, quando não se anda de bicicleta durante muitos anos, mais depois fica a doer o rabo.

Foi então que, durante o percurso, vi sentada no muro da ponte uma ciclista loura, de pele esticada e polida, que reflectia tanto o Sol que quase me encandeava. Era nem mais nem menos que a Lili Caneças. Provavelmente a única ciclista com mais partes readaptadas do que a maioria das bicicletas ali em andamento.
Nessa altura pensei:
- Quem me dera ter uma parte daquele botox entre o selim e o meu rabo. O conforto seria tal que provavelmente lançar-me-ia para atacar a camisola amarela.

Segui então até à meta, onde novamente foi lido o meu chip. Como sou morador de um prédio em que o rendimento por condómino é inferior à média nacional, não tive de pagar nada.

No final eram 12h30m e estava em pleno Parque das Nações, com uma bicicleta na mão, cheio de fome, o rabo dorido e a 12 Km de casa.

Naquele momento regredi no tempo e pensei naquele dia em Janeiro. Era um vulgar e frio dia de Inverno e logo que soube do evento fui para a Internet fazer fila virtual no servidor para comprar o meu ingresso (há alguns brasileiros que lêem o meu blog). Após insistência consegui adquirir o meu lugar. Na semana anterior estive horas na fila para levantar o meu dorsal. Naquela manhã, uma nova fila para entrar no autocarro da Carris. Seguiu-se uma fila anárquica para pegar numa bicicleta (minimamente funcional). E como cereja em cima do bolo, uma hiper mega fila de ciclistas em plena Ponte Vasco da Gama - mais facilmente eu fazia a rotunda do Marquês de Pombal na noite em que o Benfica foi campeão.
Tinha ainda uma fila para ir de metro com a bicicleta para casa.

Enfim... Isto só neste país. Tanta burocracia para comprar uma bicicleta por 60 Euros.

Mas a razão disto tudo deve-se àquele dia... Foi há um ano que entrei naquele Pingo Doce e vi a operadora da caixa 3. Apeteceu-me logo atacar aquele prémio de montanha de primeira categoria e alcançar a camisola azul. Aproximei-me mais, e observei nela todos aqueles pontos quentes. Dificilmente a camisola verde me escaparia. Por fim ganhei coragem, dirigi-me a ela e perguntei se me permitia ser o seu camisola amarela. Ao que ela respondeu:
- Ui, tens ainda muito para pedalar...