segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AliComments : O Tuga é um ser superior!

Até aqui, estava convencido que o Mourinho era o maior. Mas esqueçam lá isso.

Vejam só isto:

Este homem que só é gay nos anos pares, às vezes salta-lhe a tampa, e consegue de uma assentada ser um Macgyver, uma Sharon Stone e um Dan Brown!

Podem já fazer um filme: "O Código da Rolha do Tinto Fatal" (onde a rolha seria feita com uma pastilha elástica e um crachá do Pingo Doce a dizer 0%).

Para mim, é desde já o vencedor do Portugal tem Talento. Mais, por mim, deveria ser ele a governar este país.
Aposto que iria conseguir cortar completamente o défice com recurso a dois abre-latas e uma forquilha de bicicleta.
Depois facilmente as taxas de juros iriam descer, pois os mercados iriam finalmente acreditar que o governo iria cortar em tudo, até nos mais velhos.
Teria ainda a vantagem que deixaria de haver onde muitos pudessem continuar a 'mamar' do estado.

Em suma, ponham bem os olhos neste homem!... E as mãos onde bem sabem...

PS: Por razões óbvias, este post é mais curto.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A força do Pinheiro da Natal

Decorria um indeterminado ano. Provavelmente um dos primeiros em que já serviam pequenos-almoços.
O normal era pedir um ovo estrelado com bacon. Mais tarde por causa do colesterol, trocaram a entremeada por uma carne melhor e assim nasceu o dilema do ovo com lombo.
O que terá aparecido primeiro? O ovo ou a galinha?
Talvez a galinha. Mas alimentando-se esta de sementes e sendo o pinhão uma semente, terá a galinha comido pinhões?
E já agora, o que terá aparecido antes, o pinhão ou o pinheiro? Se for o pinhão e depois veio o pinheiro, significa que a galinha não comeu o pinhão. Se foi o pinheiro, poderá ter sido decepado no Natal e já não deu pinhões.
Sem pinhões no Natal, restam as nozes, os figos secos, as frutas cristalizadas e o bolo rei.
O bolo rei leva ovos, pelo que mesmo não sabendo quem foi primeiro (o ovo ou galinha), sabemos que no Natal foi o ovo. E tendo sido este envolvido com alguma promiscuidade com farinha e açúcar, não teve oportunidade de evoluir para galinha.
Não havendo galinha, o pinhão safa-se e teremos pinheiro depois do Natal. Depois do Natal, os pinheiros são deitados fora, pelo que também já não interessa.
Quanto muito interessarão no Verão, para serem devorados na 'incêndios season'. Nessa mesma altura vêm muitos emigrantes matar saudades, principalmente os que não puderam vir no Natal.
Também nessa altura com o calor, as pinhas abrem-se e deixam cair os pinhões.
Pena é que os emigrantes façam muitos churrascos, não havendo depois galinhas para comer esses pinhões, razão pela qual, no próximo Natal haverá pinheiros.
Só que pela mesma razão não haverá ovos, o que por consequência não haverá bolo rei nem rabanadas. O que assim sendo, no próximo Natal não se justifica cá virem os emigrantes.
Seja como for, eu gosto muito da noite de Natal. Isto porque acontece sempre após uma dúzia de meses e logo no dia 24, ou seja, duas dúzias. É talvez por isso que é muito fácil contabilizar ovos, são às dúzias, ao contrário dos emigrantes que são muitos.
Até que um dia, um emigrante da América chegou na noite de Natal e disse:
- Esqueçam a galinha, lá nós comemos peru.
A galinha sobreviveu, comeu os pinhões e deixou de haver pinheiros.
Zangados, os vizinhos igualmente emigrantes, foram acertar contas com o emigrante gringo. Pois sem pinheiros já mais poderiam vir no Natal e no Verão.
Foi então que o mesmo emigrante sugeriu o pinheiro de plástico, o dinheiro de plástico e aproveitando o excesso de galinhas, a comida de plástico com o McChiken.
Começou então a formar-se um enorme volume de interessados para provar tal iguaria.
Perguntou então alguém lá de dentro para começar a servir:
- Vamos lá então, quem é que apareceu primeiro?
O ovo e a galinha ficaram a olhar um para o outro. O pinheiro coçou a pinha e o pinhão foi à boleia com um emigrante em camisa de alças numa moto 4.

Chegou-se então à frente a Caixa 3 do Pingo Doce e fez o seu pedido:
- Era um ovo estrelado com bacon.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma Crise cheia de prosperidade.

É Natal. Natal é quando um homem quiser e Bruxelas deixar.
O Natal é mundial e é sentir o calor da família. Ou seja, Natal é por si só um aquecimento global.

Com o aquecimento global muda tudo. E tudo o que muda é global.
Quando era novo, para além de ter menos idade, sabia que depois do Outono vinha o Inverno. Hoje já não sei se vem o Inverno, o FMI, o D. Sebastião ou o Sá Carneiro.

É a Crise, que rima com brise. E o Rei que só não vai nu, porque prefere andar vestido (embora quando for para Timor...).

Tenho rezado bastante para que tudo isto passe e o 745 venha no fim, para que eu possa ir ao Prior Velho. Encontrar a sabedoria de um Prior de outros tempos, ou então uma oficina aberta.

Muitas são as pequenas capelas onde vou orar (ora vou a uma, ora vou a outra). Evito no entanto tudo o que é igreja matriz, porque eu vou ali para falar com Deus e não para discutir álgebra.

Outras vezes gosto de ir a uma Sé, para tentar ouvir aqueles enormes órgãos encastrados nas paredes. Mas muito raras são as vezes em que sou presenteado com tal prazer.
Perguntei num indeterminado dia a um padre porque não tocava com mais regularidade em tal belo instrumento. Respondeu-me que não pode ser qualquer um a meter lá as mãos.
Acrescentou que mesmo ao domingo, usam o outro que está junto do altar. Disse ele que era mais moderno e que já era digital.
Dou por mim a pensar:
- Como querem que não haja pedofilia na igreja? Se quando olhamos para os altares de várias paróquias durante a missa, o que vemos são os seus padres e os respectivos órgãos digitais!

Isto não faz sentido. É a mesma coisa que recorressem a um pequeno triângulo de madeira e fizessem dele um cata-ventos no cimo de uma torre da igreja.
Depois um galo de Barcelos passaria por ali e interpelava-o:
- Não gostavas antes ser de metal e servir de ferrinhos num rancho?
E ele respondesse:
- Não estou para aí virado.

Mas pensaria certamente o cata-ventos:
- Porque não fazem um galo de Barcelos nas Caldas da Rainha onde em vez de mudar de cor em função do tempo, levantava ou baixava o seu 'indicador técnico' consoante fosse ou não um bom dia para ir para o engate no Bairro Alto?

Sim, porque Natal também é engate!
É o Pai Natal a engatar as renas ao trenó.
É engatar o triângulo de madeira no cimo de uma igreja a servir de cata-ventos.
É engatar a secretária que trabalha no FMI para ela avisar quando eles cá vierem.
São padres a engatar criancinhas enquanto tocam nos seus órgãos digitais.
É o Cristiano Ronaldo a engatar só porque sim.
É a Alexandra Lencastre mortinha por ser engatada.
E mesmo em certos ranchos, quem vai para lá, vai para o engate.

Em relação ao menino Jesus? Esse está em palhas deitado a 8 pontos do Porto e no presépio não terá direito a vaca. Já a teve toda no ano passado.

Para a noite de Natal, deixo aqui um SMS:
"Desejo-te uma muito feliz noite de Natal com a melhor companhia. Espero que não tenha sido muito cara."

Para dar sorte, não se esqueçam de entrar em 2011 com o pé direito.
Caso não tenham pé direito, entrem com a mão direita.
Caso não tenham nem pé nem mão direita, será uma boa altura para se mentalizarem que a sorte não faz parte da vossa sina.


Por curiosidade, ontem quando chegou a casa a operadora da Caixa 3, como estava morrendo de saudades dela fiz-lhe o seguinte pedido erótico:
- Amor, deixa-me tratar dos teus marmelos e vamos fazer marmelada!
Ao que ela me respondeu:
- Não tens lido as notícias? Não tem havido açúcar na prateleira.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sr. Maia? Está bem abelha!

Já está.
14 meses depois cheguei finalmente ao fim deste enorme desafio.
Qual? Ler Os Maias!

Sei que muitos também gostavam de conseguir tal feito, mas como não sentem forças para isso, eu cá estou para ajudar. Finalmente um resumo de Os Maias que irá subir as notas da disciplina de Português e de Educação Sexual.

Então é assim, comecemos pelo Ramalhete. Esqueçam. A descrição tão pormenorizada daquele espaço só existe no início deste romance, porque Eça de Queiroz queria também cativar para a leitura, decoradores de interiores e toda a restante comunidade gay.

Sendo Eça de Queiroz um grande produtor de conteúdos e de novos formatos, pegou então no Ramalhete e transformou-o num mix Casa dos Segredos & Fiel ou Infiel.
Na altura, como não havia a pílula, os jovens só queriam mulheres casadas. Assim, eles sabiam que nunca seriam pais.
A malta ia para a noite no Ramalhete, aproximava-se, oferecia um copo, uma piadinha para ela sorrir, certificavam-se de que era casada e forró com ela. Enfim, outros tempos.
Neste romance, uma mulher que tivesse relações sexuais com vários homens e não fosse casada, era logo marcada pela sociedade como uma prostituta.

No meio deste contexto de sociedade, Afonso da Maia teve (pelo menos no papel) um filho chamado Pedro da Maia. Pedro encontrou uma mulher 'toda boa' e casou.
Ora, uma mulher que poderia ter sido capa da Playboy do mês de Maia(o) e que passou a ser uma mulher casada, passou a ser uma mulher interessante para muitos mais.
Em pouco tempo teve dois filhos (um casal). Uma vez mais um Maia ficou oficialmente como pai. Com isto, com ou sem o seu ADN, Afonso da Maia já tinha netos, sendo que o mais velho ficou com o nome de Carlos da Maia.
Um dia a mulher de Pedro fugiu com outro, ele não aguentou a dor de corno e matou-se. E assim logo no início da história Eça de Queiroz abateu uma personagem. No fundo Eça de Queiroz fez o mesmo que o autor da novela Laços de Sangue, que logo no primeiro episódio eliminou o actor José Fidalgo. Aliás, se tivesse sido Eça de Queiroz a escrever Laços de Sangue, as irmãs separadas em criança, encontrar-se-iam em adultas e virariam em casal de lésbicas.

A mulher de Pedro (O Corno) fugiu portanto com outro, levou a filha mais nova e deixou Carlos com o avô. Só que Carlos era olho vivo e passou a jogar as regras do jogo. Arranjou um amigo chamado João da Ega e dedicaram-se ao engate de mulheres casadas. Aliás, muitas vezes eram elas atrás deles. E assim foi, farra atrás de farra. Até que um dia Carlos fartou-se e quis algo mais à frente. Como não queria descer de nível e virar-se para as solteiras, virou-se para a irmã.
Perto do fim, alguém conta ao Afonso da Maia que irá sofrer uma redução de 10% da sua pensão e este morre.

Para terminar, falta só mencionar o contexto económico de Portugal naquela altura. Digamos que naquela época o país era governado por gente muito incompetente e estava bastante endividado. Enfim, Eça de Queiroz tinha uma enorme capacidade para imaginar cenários irreais.


Para terminar, comentei com a operadora da caixa 3 do Pingo Doce que demorei todo este tempo para ler esta obra. Ao que ela me respondeu:
- É para compensar outras coisas em que és bastante rápido...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Hei! Camões DJ!

Já alguém imaginou Luís Vaz de Camões como DJ? Um DJ das letras, está claro.
Uma mão no prato e o outro braço sempre no ar a puxar pelo público (*).
Tomem lá um provável set:

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Navegar navegar,
Mas ó minha cana verde,
Mergulhar no teu corpo,
Entre quatro paredes,
Dar-te um beijo e ficar,
Ficarei mais perto do céu,
Ficarei mais perto do mar,
Ó mar salgado, quanto do teu sal,
São lágrimas de Portugal,
São lágrimas, são lágrimas, são lágrimas caindo do meu rosto,
São lágrimas, são lágrimas, são lágrimas que choram por quem gosto,
Eu gosto é do Verão,
De passearmos de prancha na mão,
Põe tua mão na mão do meu Senhor da Galileia,
Põe tua mão na mão do meu Senhor que acalma o mar.
Dá um mergulho no mar,
Dá um mergulho sem olhar para trás,
O passado foi lá trás,
Trás Trás Trás,
Para mim tanto me faz,
Que digas coisas boas ou coisas más,
Ou mesmo que inventes,
Que era lindo o serão lá na casa da avózinha,
Aquilo que eu mais gostava,
Era o jogo da adivinha,
Adivinha quem voltou, comeu e não calou,
Mais uma vez a doninha arrancou,
No Calhambeque bi-bi (não confundir com o calhambeque do Bibi),
Quero buzinar no Calhambeque,
Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...
Vrei sa pleci dar numa, numa iei,
Numa, numa iei, numa, numa, numa iei,
Tsamina mina eh, eh,
Waka waka eh, eh,
Tsamina mina zangalewa,
This time to Africa,
Wegue, wegue wegue wegue,
Wegue, wegue wegue wegue,
Quando eu entro o palco se move,
Kalemba que chove,
Vai ver, vai ver se chove,
Vai chover amor,
Na madrugada vai chover,
Vai chover amor,
Não há luar como o de Janeiro,
Nem amor como o primeiro,
Venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro,
O preço é sempre baixo na loja toda, o ano inteiro,
Ponho carro tiro o carro à hora que eu quiser,
Mamo à hora que eu quiser porque a cabrita é minha,
Eu quero comer, Joana,
Que foi com a Teresa chupar rebuçados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.


Et voilà!

(*) Camões só salvou os Lusíadas porque não queria que o Rolex que tinha comprado em Marrocos apanhasse água. Recordo que na altura não havia marroquinos no Chiado.
Em homenagem a este feito, nos dias hoje, muitos são os oriundos do Magrebe que se concentram na Praça do Camões à noite com variados ramos de flores. Muitos até fazem o ritual de ir para o Bairro Alto e percorrer aquele mar de gente com o ramo na mão e o braço no ar. Como se dos Lusíadas se tratasse.
Ao contrário da grande parte dos alunos, que estudam apenas algumas partes desta obra, estes senhores durante a noite percorrem todos os cantos.



Claro que se Camões vivesse nos tempos presentes, episódios como este poderiam acontecer:
- Sabes quem foi hoje ao Pingo Doce? O Camões!
- Sério?
- Sim, mas coitado, mal se aguenta das canetas. Deu-me pena vê-lo assim, até lhe dei dinheiro para ele poder comprar uma esferográfica.
- E não te deu um autógrafo?
- Não, mas acho que ele está de olho em mim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lisboa Baique Ture

Yo, Ali Radical! Sempre a curtir e a bombar sem ketchup.

Dei por mim e estava sentado no alcatrão em plena Ponte Vasco da Gama (PGV). E nem sequer estava na faixa da esquerda. Foi mesmo na faixa central e sem qualquer receio de ser atropelado. Sem ter pago portagem embora tenha sido obrigado a colocar um chip na cabeça para me controlarem. É que eu quando me descontrolo, sou um perigo.

A preparação para este momento já tinha começado no dia anterior. Na noite de sábado, nada de copos e uma noitada que terminou antes da meia noite. A preocupação com o despertar no dia seguinte era superior à de que se fosse para apanhar um avião para ir de férias para Cuba. Após muitas contas de cabeça, despertador programado para as 6h30m. Nem sabia que o telemóvel permitia ser configurado para despertar tão cedo.

Despertou. Não verifiquei mas deviam ser as horas seleccionadas. A parte do cérebro que reconhece números continuou a dormir. Normalmente só preciso desse módulo na altura em que tenho de regular o tempo do microondas para aquecer o meu pequeno-almoço.

Fui então ao banho e fazer a barba, afinal ia atravessar a Ponte Vasco da Gama. Convinha ir apresentável e a cheirar bem. Ainda por cima iria estar maré baixa.
Seguidamente vesti uma t-shirt verde e lá fui eu. Apanhei o Metro e às 7h30m lá estava eu numa enorme fila para ser empacotado num autocarro da Carris. Altamente! Poder numa madrugada de domingo sentir num autocarro aquilo que normalmente só se sente durante a semana em plena hora de ponta. Deduzo que tenha sido mais uma performance planeada pela organização.

Viagem feita. Chegado ao destino, a porta abre-se e toca a correr para uma bicicleta. Por instantes senti-me uma Vanessa Fernandes. Faltava-me só um aparelho nos dentes.
Claro que havia uma bicicleta para todos. Mas era mais do que uma bicicleta. Era um puzzle-bicicleta, cada uma com extras muito específicos. A primeira em que pus a mão já vinha com um travão activado de fábrica. Na segunda, um dos travões tinha apenas funções de estética. Depois peguei numa em que o ajuste do selim era mínimo (deveria ser uma versão mais desportiva). No final, optei por uma que das 18 diferentes velocidades, apenas permita alterar entre 12. Ou seja, vinha estrangulada. Ora como a PVG é conhecida pelos seus fortes ventos laterais, achei por bem ter o cuidado de optar por uma que não permitisse entusiasmar-me e lançar-me para um regime de velocidades proibitivo.

Bicicleta seleccionada, começa a corrida. Não a corrida propriamente dita, mas sim a corrida para o compressor mais próximo. Achei estranho no início que aquelas bicicletas tivessem as rodas quase que vazias, mas depois pensei: foram feitas na China onde os trabalhadores mal podem respirar; é natural que muitos roubem ar às escondidas para poder depois respirar em casa com a família.

Enquanto procurava a fonte de ar mais próxima vi outras pessoas que continuavam viciadas a divertir-se com o puzzle-bicicleta. Havia mesmo quem personalizasse cada pormenor: quadro de uma bicicleta, roda da frente de outra, selim de outra, pedais, etc... Pareceu-me mesmo ter visto alguém que meteu também carretos de mudanças na roda da frente. Provavelmente a primeira bicicleta 2x2 e quem sabe se não teria também diferencial.

Rodas atestadas e agora sim, estava pronto. 8h30m: boa hora para começar. Pensei eu. Estava pronto sim, mas era para pousar a bicicleta e sentar-me no chão. Mas sempre de olho nela, pois a malta do bike-tunning continuava por lá a coleccionar peças e algum menos sério poderia fanar-me alguma jante ou uma maneta das mudanças.

E ali estava eu, sentado, à espera do início. Até que pelas 10h30m deu-se a partida. Ou mais correctamente falando, deram-se as partidas. Só nos primeiros 50 metros, a corrida deve ter começado umas 10 vezes. Passados os primeiros 200 metros em 10 minutos em cima da bicicleta, pude finalmente começar a pedalar. E após 2 Km em meia hora e algumas centenas de partidas (até já tinha travado uma vez com os dois travões ao mesmo tempo) cheguei ao local de partida!

Tinha finalmente passado aquele equipamento semelhante ao das SCUTs que deve ter lido o chip que levava no meu capacete. Espero que não me apareça nenhuma taxa extra no próximo extracto da via-verde.

Mas agora sim, dava para pedalar durante períodos superiores a 10 segundos e pude experimentar uma outra velocidade das minhas 12 possíveis.
Chato foi que quando passei o ponto de partida já me doía consideravelmente as nádegas. Ou seja, quando não se anda de bicicleta durante muitos anos, mais depois fica a doer o rabo.

Foi então que, durante o percurso, vi sentada no muro da ponte uma ciclista loura, de pele esticada e polida, que reflectia tanto o Sol que quase me encandeava. Era nem mais nem menos que a Lili Caneças. Provavelmente a única ciclista com mais partes readaptadas do que a maioria das bicicletas ali em andamento.
Nessa altura pensei:
- Quem me dera ter uma parte daquele botox entre o selim e o meu rabo. O conforto seria tal que provavelmente lançar-me-ia para atacar a camisola amarela.

Segui então até à meta, onde novamente foi lido o meu chip. Como sou morador de um prédio em que o rendimento por condómino é inferior à média nacional, não tive de pagar nada.

No final eram 12h30m e estava em pleno Parque das Nações, com uma bicicleta na mão, cheio de fome, o rabo dorido e a 12 Km de casa.

Naquele momento regredi no tempo e pensei naquele dia em Janeiro. Era um vulgar e frio dia de Inverno e logo que soube do evento fui para a Internet fazer fila virtual no servidor para comprar o meu ingresso (há alguns brasileiros que lêem o meu blog). Após insistência consegui adquirir o meu lugar. Na semana anterior estive horas na fila para levantar o meu dorsal. Naquela manhã, uma nova fila para entrar no autocarro da Carris. Seguiu-se uma fila anárquica para pegar numa bicicleta (minimamente funcional). E como cereja em cima do bolo, uma hiper mega fila de ciclistas em plena Ponte Vasco da Gama - mais facilmente eu fazia a rotunda do Marquês de Pombal na noite em que o Benfica foi campeão.
Tinha ainda uma fila para ir de metro com a bicicleta para casa.

Enfim... Isto só neste país. Tanta burocracia para comprar uma bicicleta por 60 Euros.

Mas a razão disto tudo deve-se àquele dia... Foi há um ano que entrei naquele Pingo Doce e vi a operadora da caixa 3. Apeteceu-me logo atacar aquele prémio de montanha de primeira categoria e alcançar a camisola azul. Aproximei-me mais, e observei nela todos aqueles pontos quentes. Dificilmente a camisola verde me escaparia. Por fim ganhei coragem, dirigi-me a ela e perguntei se me permitia ser o seu camisola amarela. Ao que ela respondeu:
- Ui, tens ainda muito para pedalar...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ich liebe you a lot avec mon coração sem Aloe Vera


Faz por estas alturas um ano que este blog existe,
Um momento que por aqui comecei a escrever,
Hoje continua uma vontade que não desiste.
E há mesmo quem tenha por hábito aqui regressar e ler.
Muitas são as palhaçadas que se resumem ao palhaço,
Piada, oi? Onde estás?
Mas comer Belgas sem ir à Bélgica é como eu faço,
E se elas forem mesmo boas, pás pás pás.


Se aqui escrevo, alguma razão me empurra para tal,
Tal como em Portugal ainda há quem use suíças no rosto,
Terei pela força do sol uma grelhada costela de anormal,
Embora na Suiça também há quem recorra a portuguesas por gosto.

Se da Espanha nem bom tempo nem bom casamento,
Da Suiça, com um Rolex obterás o melhor tempo avulso.
Lá o tuga apetrecha o seu Honda com o melhor equipamento
Enquanto os nativos dedicam-se ao tunning de pulso.
Sim, estive na Suíça a ver canivetes e muitos chocolates,
Percorri grandes montanhas onde vi vacas à manada,
Lausanne e seu enorme lago preenchido de iates,
Onde até um peixe que não saiba esquiar finge que nada.

Mas a vida segue, está aí o Mundial onde sonhamos ser campeões.
E com ele veio a vuvuzela, esse instrumento democrático.
Cada português passou a poder tocar sem desabotoar botões,
E a soprar com todo o prazer num objecto tão fálico.
Vuvuzela poderia também ser uma localidade portuguesa,
Onde os habitantes poderiam exigir: "Vuvuzela a concelho!"
Ou sentir o Estado encerrar a maternidade de Vuvuzela com frieza,
E temer um violador de Vuvuzela que atacasse como um coelho.

O calor já chegou e confirma-se que estamos no Verão,
A operadora da caixa 3 chega mais tarde e deixa-me sem courato,
E sempre que me queixo que fico sozinho durante o serão,
Ela responde-me: "Se queres companhia, arranja um gato".

Estou a tratar disso...